O Coque

O Coque está localizado no Bairro de São José em Recife-Pernambuco e se estende desde a Rua de São João, na Estação Central do Metrô do Recife, da Linha Férrea até a Ponte de Afogados. É ladeado pela Rua Imperial e o Rio Capibaribe. São mais de 113 hectares de terras.

Por estar localizado próximo ao Centro de Recife uma de suas áreas, a Joana Bezerra, se tornou uma área super ambicionada pelos empresários e a especulação imobiliária. Denominaram-na Centro Expandido e lá se formou o Pólo Médico. Passa o metrô, o Viaduto João Paulo II e também o Fórum e a AACD. É um dos mais caros metros quadrados do Recife.

Sua população é de mais ou menos 60 mil moradores, formada na grande maioria por crianças, jovens e adolescentes. Os adultos e idosos são em menor proporção. É uma comunidade carente. É o menor IDH do Recife. É discriminada e explorada por pesquisadores, ongs, estudantes universitários e políticos que se aproveitam da miséria dos moradores para fazerem teses, revistas, jornais e se elegerem, tudo em proveito próprio sem que a comunidade participe dos benefícios.

Com a falta de assistência social dos governos, o desemprego e por causa da discriminação alguns jovens adolescentes seguem os caminhos da violência, drogas e prostituição. São agentes e vítimas desse conflito social gerado por omissão dos governos.

A favela é uma universidade social. Lá se aprende de tudo. Somos doutorados em sobrevivência e LUTAMOS PELA SOBREVIVÊNCIA! É UMA GRANDE ESCOLA!

A nossa existência é marcada por lutas e conquistas e tem início com a migração dos homens, mulheres e famílias do campo para a cidade grande com a esperança de se ter uma vida digna e decente já que os governos não os ajudaram em suas terras no interior do Estado.

Cá chegando se depararam com outra realidade: falta-lhes dinheiro para se manterem, qualificação profissional e apoio governamental como tiveram os imigrantes estrangeiros. E então esses homens e mulheres com seus filhos procuram se abrigar em locais próximos às cidades, ocupam morros, rios e alagados e começam a construir suas casas de papelão, zinco, madeira e palafitas aos poucos. Com lixo, lama e barro vão aterrando e aumentando seus espaços de moradia.

Assim se deu no Coque com a construção da via férrea. Essas famílias construíram suas moradias com muita dificuldade por se tratar de uma região banhada pelo Rio Capibaribe de difícil acesso. Mas esses bravos e valente sobreviventes do Coque que entraram na literatura como denominados de homens caranguejos ocuparam, aterraram e moraram no Coque.

 

 

Aos poucos o Coque foi sendo aterrado com lixo, borra de carvão de pedra, areia, lama e muito esforço por se tratar de ser nas margens do Rio Capibaribe.

Foi então que começaram a aparecer OS DONOS DO COQUE: Estevão Marinho, Iraquitam Bezerra e Brennan se dizendo foreiros e querendo expulsar os moradores. Mas estes já tinham organizado suas entidades que os defenderiam. Dentre elas citamos: A SOCIEDADE DEFENSORA DOS PROPRIETÁRIOS DA ILHA DO MARUIM, A COMISSÃO CENTRAL E O COQUE-CLUBE/GRUPO COMUNITÁRIO DO COQUE – GRUPÃO, que reivindicavam a posse da terra.

Em 1975, o então Presidente, do Brasil João Figueiredo vem ao Coque e assina uma lei garantindo que as terras do Coque sejam dos moradores, garantindo a nossa permanência no Coque.

Começam então outras lutas: vem a construção do metrô de superfície (o trem elétrico) também querendo expulsar os moradores e mais uma vez o Grupão se posiciona ao lado dos moradores e realiza diversas reuniões de rua, assembléias, passeatas e atos públicos. Até paralisamos as obras da construção da estação do Metrô Joana Bezerra no Coque. Convidamos os moradores e as entidades sociais que lutam pelos direitos humanos e juntos lutamos para não sermos mais uma vez expulsos do Coque, como aconteceu com as obras de desvio do Rio Capibaribe, quando removeram os moradores da antiga Pitangueira para a UR-10 no Ibura e para o Janga em Paulista para depois muitos deles voltarem a ocupar terras ociosas no Coque.

Tivemos mais uma vitória! A Metrorec e a Prefeitura tiveram que aterrar mangues e marés, demarcar lotes e construir casas para os moradores e inquilinos que foram removidos de suas casas para a construção do metrô.

Hoje temos parte de nossa comunidade bem projetada, casas foram construídas, ruas calçadas, creche, escolas, unidades de atendimento médico, academia da cidade e mais ruas sendo calçadas e unidades habitacionais em fase de construção. Tudo isso é fruto da nossa luta, da nossa organização e participação nas decisões da Prefeitura do Recife e no orçamento participativo. Também decidimos o futuro da Cidade do Recife, participando das plenárias temáticas, dos fóruns, conselhos e conferências municipais da PCR e dos programas do Governo do Estado através do Governo Presente.

Com o passar do tempo perdemos muitas das nossas sociedades culturais tais como: caboclinhos, bumba-meu-boi, pastoril, grupos de danças populares, de côco, ciranda, agremiações carnavalescas e outras mais. Mesmo assim, ainda temos sociedades carnavalescas, grupos de dança, afoxés, grupos de teatro, quadrilhas juninas, terreiros de umbanda e a conhecida Orquestra dos Meninos do Coque.

Mas ainda não temos o apoio social dos governos e nos faltam centro de reabilitação e assistência social (CRAS), empregos, cursos profissionalizantes e oportunidades de geração de renda.

Não desistimos da luta porque somos descendentes dos BRAVOS E VALENTES HOMENS E MULHERES DO COQUE.

Agora surge a oportunidade de registrar e divulgar a nossa história, de termos viva e contada a todos as nossas memórias e de mostrarmos para o mundo quem verdadeiramente somos e acabar com essa discriminação social e a omissão dos governos.

Estamos firmes e convocamos a todos os nossos irmãos comunitários a nos unirmos na CONSTRUÇÃO DA NOSSA MEMÓRIA COLETIVA NACIONAL.

Avenida Central no Coque - Beira da Linha. Foto: Jessica Miranda.

Avenida Central no Coque – Beira da Linha. Foto: Jessica Miranda.

Obs: Estes primeiros parágrafos são um trecho do projeto Teias de Memória escrito pelo PCELC em 2011 após o desligamento do programa do IBRAM.

 

As Histórias do nome Coque

A curiosidade que está por trás do nome da comunidade se elabora em três versões. A primeira versão fala que o bairro teria sido aterrado com as sobras da pedra chamada Coque, um derivado da hulha utilizado como combustível pelas locomotivas. A segunda, referia-se ao nome de um engenheiro inglês da Rede Ferroviária, chamado Gaspar Cook, cuja função era de fiscalizar, mas não impedia que aquelas pessoas construíssem suas moradias de palafitas na beira da linha do trem. E a terceira história conta que se tratava da existência de uma Vila de Coqueiros onde viviam os pescadores.

Obs: Texto de parede Origens do Nome Coque escrito por Rildo Fernandes para a exposição do MBLC na Fundaj, 2014.

Localidades do Coque

[Em construção]